Nota prévia à edição impressa * 1. Da crítica do valor à ideologia de círculo digital * 2. A “irmã da mercadoria” e a Internet como “máquina de emancipação” * 3. Forma do valor, substância do valor e reducionismo da ideologia da circulação * 4. “Troca justa” e relações de uso capitalistas * 5. A alma da mercadoria em acção: do “bem pago não sério” ao anti-semitismo estrutural * 6. Produção de conteúdos, custos capitalistas e “reprodutibilidade sem trabalho” * 7. Trabalho produtivo e improdutivo no conjunto da reprodução capitalista * 8. A caminho de uma ontologia do trabalho secundária * 9.
Existe um sonho característico da modernidade: o sonho da emancipação social, da autodeterminação do homem, de uma produção autônoma da vida. Ao mesmo tempo, o processo histórico da modernização destruiu a economia agrária, deu livre curso à produção de mercadorias e transformou todas as relações sociais em relações monetárias. Instituições pouco desenvolvidas, como o Estado e o mercado, tornaram-se formas híbridas e começaram a preencher todo o espaço social. O que foi feito do sonho da emancipação social?
Como os hospitais gregos estão praticamente falidos, as grandes empresas farmacêuticas suspenderam o fornecimento de medicamentos para o cancro, para a SIDA e para a hepatite; e o abastecimento de insulina também foi interrompido. Este não é um caso especial, mas a imagem do futuro.
A moeda forte, com alto valor externo, é geralmente considerada como sinal de superioridade económica. As chamadas moedas fracas, pelo contrário, pertencem a Estados perdedores e candidatos à descida no mercado mundial. Esta regra, no entanto, parece ter perdido a credibilidade. Em toda a parte o medo é que a própria moeda possa tornar-se demasiado forte. Na Suíça, o banco central intervém para fazer descer o franco suíço ascendente relativamente ao euro em dificuldades.
As crises vêm e vão, mas o capitalismo continua. Disso estão convencidos tanto os teóricos liberais como os de esquerda. Como será superada uma grande crise económica? Através da desvalorização do capital excedentário em todas as suas formas (meios de produção, força de trabalho, mercadorias, capital monetário). Então supostamente poderá recomeçar-se sempre de novo. Os professores de economia chamam a isso "ajustamento", a esquerda académica chama-lhe "limpeza".
Apesar de toda a conversa sobre a economia de serviços, a produção industrial continua a ser a base da valorização capitalista real. E a indústria automóvel ainda constitui o núcleo central. Uma vasta gama de fornecedores e prestadores de serviços depende dela. Por isso as empresas do ramo automóvel foram os destinatários preferenciais de auxílios estatais na grande crise de 2009, juntamente com o sistema bancário.
Quem ainda tiver um resto de capacidade de memória poderá estar a questionar-se onde param afinal as enormes massas de créditos incobráveis, para os quais se procurou um jazigo tão discreto quanto possível, após o crash financeiro de 2008. Pagos é que eles não foram; pelo contrário, todas as dívidas imagináveis continuaram a aumentar.
O chauvinismo de exportador alemão imagina-se na ilha dos bem-aventurados, onde ninguém sabe o que é a crise. Ora o facto é que também neste país continuam a aumentar a pobreza em massa e os salários de miséria. Mas isso não interessa nada quando a economia de qualquer maneira está a crescer. A China e os Estados Unidos estão a comprar em grande na Alemanha graças a apoios públicos. Por enquanto a crise tem sido exportada sobretudo para as partes menos abençoadas da UE, juntamente com os automóveis e as máquinas-ferramentas.
Era do conhecimento geral que os enormes pacotes de resgate e programas de estímulo económico, após o desabar da crise de 2009, continham um potencial inflacionário, que deveria ser descarregado após um período de transição. De facto, a inflação está em ascensão em todo o mundo - especialmente nos suportes do crescimento global China, Índia e Brasil, mas já também em certa medida na zona euro.
Para a clientela habitual o pior vilão não é o informador, mas o especulador. O "casino" do capitalismo financeiro há muito tempo que é responsabilizado por todas as crises económicas e sociais surgidas. Assim, o banqueiro tornou-se o protótipo do jogador irresponsável e é considerado o inimigo número um de todos os burgueses respeitáveis.
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