Bobby Sands, a vontade de ser livre

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O governo de Margaret Thatcher estava aterrorizado por um grupo de moços e moças que começara umha revolta nas cadeias do Norte da Irlanda. A democracia liberal inglesa implementara o Estado de Excepçom permanente. O seu objectivo: destruir, isolar e criminalizar o movimento republicano.  Nas celas de Long Kesh e Armagh nom tinham nada excepto frio, merda e espancamentos diários. No entanto, Bobby Sands conseguira sacar de maneira clandestina dos Módulos H da prisom de Long Kesh uns textos escritos em papel higiénico que hoje podemos ler na nossa língua graças a Estaleiro Editora.

Thatcher sonhava que a sociedade morrera e que este patriota irlandês nom era mais que um criminoso. Nom sabia a força do povo que estava atrás dele e que o votou maciçamente, farto já dumha história secular de humilhaçons. Booby Sands foi eleito deputado para o parlamento de Westminster com apenas 27 anos. O seu programa político: as cinco demandas das presas e presos. O seu partido: Anti H-Block / Armagh Political Prisoner.

 Hoje como ontem abrolha entre nós a solidariedade entre os povos e o combate contra o racismo. Eis o nº8 da revista Nós, 24 de Dezembro de 1921:      

           

            "Galegos e irlandeses son igoalmente obrigados a renunciar á súa língoa e á súa civilización de seu,         das que, aló os ingreses i eiquí os casteláns, fan bulra e desprecio. Ós irlandeses com'a nós, sácanos      nas comedias pra faguer rir á xente, e vense coma nós aldraxados e tidos por xente inferior. Si a          verba «gallego» nos beizos dun castelán é un insulto, os ingreses fartanse de chamar «wild irish»            (salvaxe irlandés) ós nobres fillos d'Eirin".

Neste mesmo número, Antom Losada Diegues escreve um artigo sobre o sacrifício de Terence MacSwiney, alcalde de Cork morto numha greve de fame. Recolhe as palavras do patriota irlandês: "Esta é unha loita de resistenza e non han sel-os trunfadores os que máis poidan facer sofrir, senón os que poidan sofrir máis".

Conscientes da história do seu povo, este grupo de homens e mulheres chegárom até os limites do sofrimento. Primeiro com o protesto do cobertor e depois com umha greve de higiene, vam reclamar a reinstauraçom do status como presas e presos políticos. Após 5 anos de luita, de aumento das torturas e da repressom (negam-lhes o direito a fazer exercício, a ler ou a usar as instalaçons), vem-se obrigados a começar umha greve de fame. Thatcher, com o sadismo que vam caracterizar os seus mandatos, deixará morrer 10 deles: Bobby Sands, Francis Hughes, Raymond McCreesh, Patsy O'Hara, Joe McDonnell, Martin Hurson, Kevin Lynch, Kieran Doherty, Thomas McElwee e Mickey Devine.

Após 66 dias sem comer, Bobby Sands morre em 5 de maio de 1981. Os seus companheiros nom deixam a greve até o 3 de outubro. Uns dias depois o novo Secretário de Estado para Irlanda do Norte concede as cinco demandas. Estas mortes provocam umha imensa comoçom social que fará mudar a história da Irlanda. Gerry Adams nas suas Memórias políticas afirma que “os grevistas eram homens ordinários que, em circunstâncias extraordinárias, transladárom a sua luita a um âmbito moral no qual essa luita se tinha convertido num combate entre eles e o poder do Estado".

É justo isso, eles e elas ativárom as conviçons morais. Mesmo na cadeia, ninguém lhes podia arrebatar a vontade de serem livres; a vontade irrenunciável de serem livres; de nom assumirem as condiçons que lhes som impostas; de criarem conflito; de quererem participar, influir, decidir; de construírem fraternidade, mo chara, ainda que a única arma que tenham seja o próprio corpo e  algumhas palavras que farám tremer o Império Británico. Palavras como one man, one vote.

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