Cruel lembrança
Assistimos este 25 de Julho a uma das fotos que já na atualidade e que, de seguro, na história será de cruel lembrança. Este Dia da Mátria com forte vento de asulagamento do nosso ser repartimos a mesma bandeira estreleira em quantas estelas do mesmo tronco poderíamos pensar.
Este tempo, tempo fodido, onde a nossa língua vai sendo recluida no estão das hemerotecas, onde as nossas escassas competências -concedidas desde o colonizador para o seu maior esplendor- vão ficando e ficarão retraídas ao conhecido em épocas já pretéritas.
Enquanto nós, num Nós generoso no que nos incluimos as que estamos na militância activa figemos um esforço inusitado por demonstrar o "e eu mais".
Acaso é um luxo de militância, não de activismo, sentir-se possuidoras da verdade absoluta.
Lamento assinalar, desde a humildade que pretendo, que o provérbio chinês da verdade é verdadeiro e por ende, ainda que não for, é urgente e é a única ferramenta válida que se faz inevitável a sua vigência. "Existem três verdades, o teu, o meu e a verdadeira". Este séria o ponto desde o qual exterminar o afão protagonista individual e colectivo.
Nada percebem as pessoas carenciadas da foto do 25, nem o terço da população activa que estão sequestradas no desemprego, nem as pessoas imigrantes que são apagadas de serem titulares de direitos, nem as pessoas com capacidadea diferentes, nem aquelas que vindicamos que o corpo é nosso e nós decidimos, nem as desafiuzadas das próprias vivendas, ou seja, aquelas que existem e existimos fora das estatísticas.
A foto é um insulto à inteligência não só individual e colectiva, senão que também à inteligência nacional.
Duvido que haja quem se gaba de como se desenvolveu a festa da Nação Galega.
Neste ano o 11 de Março houve em Compostela uma Manife nacional pelo Dia da Mulher. Uma festa vindicativa, uma ação multicor em origens e com umas mensagens unísonas: Não à feminización da pobreza, o corpo é nosso, Não à violência patriarcal.
Acaso, e pergunto-me nestes dias transcorridos desde a efeméride, teremos que convocar, autoconvocar-nos os feminismos para que se dê um emprazamento unitário?
A direita disfruta de privilégios, os des-governos gerem a estafa e a mentira sob luzes de neón de crise, e nós? Nós a ve-las vir?
Sei que haverá quem leia e que não goste, não busco o beneprácito, busco um caminho que nos leve derrubar o castelo de Inverno nacional no que estamos sendo recluidas.
A rua será nossa, a Mátria será nossa se todas e todos estamos no convencimento da máxima que o Povo unido jamais será vencido.
A revolução começou, estamos ou ficamos. Avante com a unidade de luta, fora os protagonistas estéreis.
Este tempo fodido é de luta popular.

