Fábricas do Bangladesh que trabalham para a Zara pagam os salários mais baixos do planeta
M.B. /As fábricas têxteis do Bangladesh que trabalham para as principais marcas do sector -entre elas a Zara, do grupo galego Inditex, que preside Amancio Ortega- pagam à maior parte dos seus 4 milhons de empregados salários que nom ultrapassam os 14 euros mensais, bem por debaixo dos 1.562,5 takkas (arredor de 24 euros) que fixou o Governo do país asiático como salário mínimo. Dous trabalhadores morrêrom e centos fôrom feridos pola polícia durante os protestos deste verao para reclamar um aumento dos soldos até 5.000 takkas por mês (uns 70 euros).
O sector têxtil do Bangladesh, o segundo com mais peso na economia do país depois da agricultura, emprega cerca de quatro milhons de pessoas, que som obrigadas a trabalhar em regime de escravatura, com jornadas dentre 12 e 18 horas diárias e salários que oscilam entre os 12 e os 14 euros por mês (ao passo que o soldo mínimo oficial é de 1.562,5 takkas, uns 24 euros). Mais de 50.000 operários e operárias levárom a cabo numerosos protestas durante o verao para denunciar as práticas dumha indústria que está a pagar os soldos mais baixos do planeta e reclamarem um aumento salarial que chegue até os 70 euros mensais, fronte aos 50 que aceitou o Governo.
As mobilizaçons começárom em finais de maio, depois de os empregados e empregadas da fábrica têxtil do Bangladesh FS Sweater Factory -situada na Zona Franca de Dhaka, na capital do país, e que trabalha para multinacionais como a Inditex, GAP ou H&M- começarem umha greve para exigir a libertaçom de três dirigentes sindicais da empresa que fôram detidos. Estas três pessoas cometeram o delito de se opor à alteraçom imposta pola patronal no sistema de pagamento: diminuiçom da retribuiçom por peça e incremento do ritmo de trabalho, o que significa trabalhar mais horas para receber menos salário. A direcçom da fábrica chamou pola policía, que investiu brutalmente contra as trabalhadoras e trabalhadores concentrados nas instalaçons da empresa e fechou as portas de saída, o que provocou a morte dum trabalhador, numerosos feridos e o incêndio da fábrica.
Na seqüência destes factos, os protestos estendêrom-se à cidade industrial de Savar, próxima da capital, começando os confrontos na empresa Universe Knitting Factory Limited quando a direcçom recorreu a provocadores para se enfrentar aos manifestantes. Ao se dirigirem com companheiros e companheiras doutras empresas para Zona Franca para prosseguirem as mobilizaçons, a polícia disparou contra os trabalhadores, provocando a morte dum operário, numerosos feridos e a detençom de muitos dirigentes sindicais (só em 2009 seis sindicalistas morréron no país por reclamaren melhores condiçons de trabalho).
Os distúrbios nos principais distritos industriais sucedérom-se durante semanas. Durante esse tempo os trabalhadores e trabalhadoras do têxtil conseguírom bloquear algumhas das principais vias de comunicaçom do País, assim como paralisar as empresas mais importantes dun sector que em 2009 representou 80 por cento dos 16.000 milhons de euros em exportaçons do Bangladesh, que tenhem como destino principal as grandes marcas estadounidenses e europeias.
Escravos das grandes marcas
70 por cento da roupa que se comercializa no mundo é fabricada em países como o Bangladesh, a Turquia ou Marrocos, onde som pagos salários de miséria e se trabalha até 18 horas diárias sen contrato. No país asiático, três em cada cinco mulheres trabalham no sector têxtil em condiçons infrahumanas. Estas mulheres chegam a trabalhar mais de 24 horas a fio para cumprirem os pedidos das grandes multinacionais. O sector, que ocupa 40 por cento da classe obreira industrial, mostra a sua pior cara com os obreiros nom qualificados, como os nenos e nenas, que nem sequer chegam a ganhar 10 euros mensais.
A actual crise económica nom fijo senom agravar estas condiçons de trabalho. Um relatório do próprio Departamento de Inspecçom de Fábricas do Governo do Bangladesh refecte que 122 das 825 fábricas inspeccionadas – cerca de 15 por cento do total nom pagárom a tempo os salários dos trabalhadores entre os meses de Janeiro e Junho. O documento assinala ainda que outras 53 nom pagárom as horas extra e oito pagárom menos do salário mínimo fixado polo Estado.
Tirado do Novas da Galiza nº 94

